Acredita-se que a filariose bancroftiana seja originária da Polinésia, de onde migrou para a China e posteriormente para outros países da Ásia e África. Sua introdução nas Américas provavelmente ocorreu com a vinda dos escravos africanos. A primeira descrição da filariose credita-se ao médico francês Jean-Nicolas Demarquay em 1863 que, trabalhando em Paris, identificou microfilárias em líquido quilocélico de um paciente procedente de Havana, Cuba. Pouco depois, em 1866, o médico alemão Otto Wucherer, trabalhando na Bahia, acidentalmente encontrou microfilárias na urina hematoquilosa de um paciente. O médico inglês radicado na Austrália, Joseph Bancroft retirou, em 1876, quatro vermes adultos vivos da bolsa escrotal de um paciente e, no ano seguinte, os enviou para o parasitologista inglês Cobbold que denominou a espécie com o nome de Filaria bancrofti . Neste mesmo ano, o brasileiro Silva Araújo denominou o verme adulto de Wuchereria bancrofti em homenagem a Wucherer e Bancroft, que descreveram as microfilárias e os vermes adultos, respectivamente. Conheciam-se os parasitos, mas não se sabia como eles eram transmitidos ao homem. Foi aí que uma figura importante começou a investigar como isso acontecia: Sir Patrick Manson, que em 1878, comprovou a hipótese levantada por Bancroft de que um mosquito era o transmissor da doença. Ele persuadiu seu jardineiro chinês, sabidamente microfilarêmico (com microfilárias em seu sangue), a dormir numa casa cheia de mosquitos . No dia seguinte, coletou os insetos cheios de sangue e identificou as microfilárias ao examinar os mosquitos. Coube ao inglês George Low, em 1900 na Inglaterra, confirmar que a transmissão da infecção era feita realmente pelo mosquito. Ele observou que as microfilárias cresciam no interior do mosquito e se transformavam em outra larva que ele chamou de infectante (ou também conhecida por L 3 ). Essas larvas se localizavam na prosbócide do mosquito. Essas larvas escapavam do mosquito no momento da picada e, por movimentos ativos, penetravam na solução de continuidade da pele deixada pela picada do inseto. Foi Low também quem identificou o gênero Culex como sendo o mosquito transmissor da infecção bancroftiana. Uma outra coisa que intrigava muito os pesquisadores era o estranho comportamento das microfilárias de Wuchereria bancrofti : elas eram identificadas no sangue somente no período da noite. Foi também o Dr. Manson que fez as observações a respeito desse fato, o que chamou de “periodicidade noturna das microfilárias”. Até hoje permanece o mistério porque as microfilárias circulam no sangue durante a noite e ficam retidas no pulmão durante o dia, sem aparentemente causar nenhum mal ao portador. Acredita-se que esse mistério pode ser causado pelo mosquito que transmite a infecção, pois o Culex , tem hábitos de só picar a noite. Pensa-se que o mosquito libere alguma substância ao picar os indivíduos à noite e isso atrairia as microfilárias para o sangue periférico. É importante lembrar aqui que existem regiões do mundo onde as microfilárias são chamadas de sub periódicas, pois podem ser encontradas no sangue também no período do dia. É ocaso da Wuchereia bancrofti variedade pacifica (uma prima da Wuchereria bancrofti ). Ela existe em uma grande ilha no continente Australiano, chamada Papua Nova Guiné. Nessa região o vetor principal é o Anopheles.
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